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Gargano, Puglia: conheça o Monte Sacro e a Floresta Umbra

Gargano, Puglia: conheça o Monte Sacro e a Floresta Umbra

Há um lugar na Puglia onde você pode ir do mar do mar à montanha, relaxar na praia e logo depois fazer trekking em meio aos bosques, tudo em poucos quilômetros: esse lugar é o Gargano, uma parte da Puglia que você precisa colocar no seu roteiro.

Eu passei dias deliciosos em uma das cidades que fazem parte do Gargano, a pequena Mattinata, e de lá pude visitar e conhecer lugares que nem sempre entram nos roteiros comuns de quem visita a Puglia. Além de conhecer Monte Sant’Angelo, tive a oportunidade de fazer trekking no Monte Sacro e um agradabilíssimo passeio na Floresta Umbra. Mas antes de tudo preciso explicar o que signífica “Gargano”.

 

Gargano: o que é esse lugar exatamente?

Você já deve ter ouvido falar muito do “Gargano”, porque é uma zona extremamente turística, com belas praias e é onde fica o Santuário do Arcanjo Miguel. Mas você sabe o que do que se trata?

O Gargano em si é uma subregião da Puglia e que coincide com o promontório montanhoso, um cabo formado por penhascos e que fica na parte norte da região. O Gargano também é chamado de “Sperone d’Italia”, ou seja o esporão da Itália, porque se a gente observar bem o mapa do país, o território do Gargano forma uma saliência na “bota”, como se fosse mesmo o esporão!

Em 1991 instituiu-se o Parque Nacional do Gargano, o qual se estende por 118.144 hectares. Ele é um dos maiores parques da Itália, compreendendo 18 municípios, todos da província de Foggia. Do Parque do Gargano também fazem parte a Floresta Umbra, a reserva marinha das ilhas Tremiti e as lagoas costeiras de Lesina e Varano.

 

O Monte Sacro

Se você é fã de trekking, não pode deixar de subir até o Monte Sacro, a parte mais alta do Gargano, com seus 874m de altura.

 

Até o século IV, o local ainda era conhecido como Monte Dodoneo e lá se realizava a adoração de Júpiter. Depois do advento da aparição do Arcanjo Miguel na Gruta de Monte Sant’Angelo, o Bispo de Siponto, Lorenzo Majorano, com outros sete bispos acabou com o ritual aos deuses pagãos e dedicou o templo à Santíssima Trindade. Desde então o nome do monte passou de Dodoneo a Monte Sacro.

Nós fomos de carro de Mattinata até o início da trilha que leva até as ruínas da Abadia da Santíssima Trindade. Uma vez na trilha, fomos guiados por um guia ambiental, o Giampietro, que nos conduziu até o alto do monte e contou toda a história da abadia.

 

A subida não é difícil, mas é melhor se feita com calma e com calçados adequados para o trekking, porque há muitas pedrinhas e folhas que tornam o terreno escorregadio. Eu não sou uma pessoa atlética e consegui fazer o percurso com tranquilidade, apesar do medo de cair em alguns trechos.

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A Abadia da Santíssima Trindade

No século XI havia no Monte Sacro uma célula dependente da Abadia de Santa Maria di Calena de Peschici. Este primeiro assentamento foi ganhando sempre mais poder religioso, econômico e político, devido a legados frequentes e doações de estratos sociais mais variados. Presume-se que no século XII a abadia da Santíssima Trindade tornou-se muito importante a tal ponto de ganhar a sua independência do núcleo de Peschici.

 

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Mas depois de um período de prosperidade econômica e prestígio, as receitas da abadia começam a declina. Em 1481 a abadia, já praticamente abandonada, foi unida com a de Siponto. A degradação é gradual, até atingir o estado atual da ruína.

 

A abadia foi um grande centro cultural de Puglia e importante destino de peregrinação, mas hoje infelizmente só há alguns restos. Mesmo assim, com a ajuda e as explicações do guia, dá para imaginar o quanto era imensa, incluindo a igreja, as células dos monges, a torre do sino, o batistério, claustro, cisternas, armazéns, enfim, todos os ambientes que compunham a abadia.

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O guia Giampietro nos mostrando os restos dos afrescos

A paisagem do percurso se caracteriza por carvalhos, pinheiros, olmos e ciprestes. De fato, é muito bonita e, por isso, posso garantir que vale a pena subir ao Monte Sacro.

 

 

A Floresta Umbra

A Floresta Umbra tem esse nome por causa das muitas zonas de sombra criadas pela vegetação densa. Ao contrário do que muitos pensam, não tem a ver com a região da Itália chamada Umbria.

A floresta é a parte mais selvagem do Gargano. De fato, são 15.000 hectares de floresta que formam um mosaico de espécies vegetais, como pinheiros, carvalhos, castanheiras, etc. Na primavera, a floresta se coloca com as anêmonas floridas, ciclaminhos, violetas e outras espécies raras. Ela também é habitat de inúmeros animais, como cervos, javalis, texugos, gatos selvagens e uma grande variedade de aves, incluindo o pica-pau.

 

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Para conhecer este lugar tão lindo, há um grande número de trilhas bem marcadas, onde é muito fácil passear. E há áreas para piquenique, portanto é perfeito para um passeio diferente, se você já tiver “cansado” das praias.

 

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Laghetto d’Umbra, lindíssimo!

Se depois de um bom passeio pela floresta você sentir fome, não deixe de ir na Trattoria Foresta Umbra, um restaurante no coração da floresta, e onde tivemos um almoço inesquecível com sabores típicos e genuínos. Tudo é feito em família, os pratos preparados por uma “mamma”, com ingredientes frescos, tudo delicioso. O almoço na Trattoria Foresta Umbra foi uma das minhas melhores refeições na Puglia!

 

Visitar um lugar como a Floresta Umbra nos traz uma paz incrível. Infelizmente só é possível chegar de carro, portanto se você estiver com um veículo não deixe de ir. Se for no verão, você vai se refrescar do calor, se for no inverno, poderá até ver a neve!

O Gargano é muito mais que belas praias!

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